O SUOR VALE POUCO...

Escrito em 27/03/2026
Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira STIM


Dizem que o preço dispara

nos mercados de além-mar,

que o volfrâmio é ouro negro

difícil de encontrar.

Mas cá na terra que o guarda

entre pedra e tradição,

há quem conte os trocos curtos

no fim de cada mês na mão.

 

Sobe o preço lá fora,

cá em baixo não se vê,

o suor vale pouco

pra quem manda e nada crê.

É riqueza que cresce,

mas não chega a quem faz,

e o silêncio nas minas

diz verdades demais.

 

Na Panasqueira antiga

há histórias por contar,

de coragem e de luta

sem ninguém pra escutar.

Cada pedra arrancada

é um pedaço de chão,

é o tempo da vida

preso na escuridão.

 

Sobe o preço lá fora,

cá em baixo não se vê,

o suor vale pouco

pra quem manda e nada crê.

É riqueza que cresce,

mas não chega a quem faz,

e o silêncio nas minas

diz verdades demais.

 

E dizem que é progresso,

que o mercado é assim,

mas há homens esquecidos

neste jogo sem fim.

Se o valor é tão alto,

como dizem por aí,

porque é que quem trabalha

não consegue subir?

 

Sobe o preço lá fora,

cá em baixo é exploração,

cada braço que escava

carrega a indignação.

Se a riqueza é de todos,

não pode ficar pra trás,

há justiça nas mãos

de quem nunca se desfaz.

E um dia a voz levanta,

já não volta a calar,

porque o chão que eles cavam

também os há de elevar.


.