Dizem que o preço dispara
nos mercados de além-mar,
que o volfrâmio é ouro negro
difícil de encontrar.
Mas cá na terra que o guarda
entre pedra e tradição,
há quem conte os trocos curtos
no fim de cada mês na mão.
Sobe o preço lá fora,
cá em baixo não se vê,
o suor vale pouco
pra quem manda e nada crê.
É riqueza que cresce,
mas não chega a quem faz,
e o silêncio nas minas
diz verdades demais.
Na Panasqueira antiga
há histórias por contar,
de coragem e de luta
sem ninguém pra escutar.
Cada pedra arrancada
é um pedaço de chão,
é o tempo da vida
preso na escuridão.
Sobe o preço lá fora,
cá em baixo não se vê,
o suor vale pouco
pra quem manda e nada crê.
É riqueza que cresce,
mas não chega a quem faz,
e o silêncio nas minas
diz verdades demais.
E dizem que é progresso,
que o mercado é assim,
mas há homens esquecidos
neste jogo sem fim.
Se o valor é tão alto,
como dizem por aí,
porque é que quem trabalha
não consegue subir?
Sobe o preço lá fora,
cá em baixo é exploração,
cada braço que escava
carrega a indignação.
Se a riqueza é de todos,
não pode ficar pra trás,
há justiça nas mãos
de quem nunca se desfaz.
E um dia a voz levanta,
já não volta a calar,
porque o chão que eles cavam
também os há de elevar.
O SUOR VALE POUCO...
Escrito em 27/03/2026